Porque um blog?

Sempre temos dúvidas pendentes e pensamentos fulminantes durante o dia, e na maioria das vezes, são achismos perdidos por valores nossos. Dividir com uma, duas pessoas parece interessante, mas multiplicar por quem se interessa com quem fala e pelo que se fala é tornar um pensamento em uma idéia, e multiplicar a idéia por possibilidades.
O que estudamos as vezes serve de base, mas a partir daqui é bem o que eu acho mesmo, portanto, me ajudem a formar idéias, para assim formarmos possibilidades, e não ficarmos só nos achismos!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O tempo - e contando...

Um dia desses, tive uma conversa engraçada sobre este negócio de tempo. É estranho como a relação que temos com ele é de servidão.
Esta minha conversa parte de uma situação diferente, estou em Fortaleza agora, e aqui não tem horário de verão, e a minha companheira de assunto está em assis, de acordo com informações seguras xD, e lá está no horário de verão.
Estávamos conversando quando veio sem querer a parte engraçada (não esperem muito em termos de ser hilário), cheguei pra ela e perguntei: me diga como está no futuro? Como é o mundo uma hora depois?
Parece bem bobo. Mas se você notar, se alguém viajar para Fortaleza agora, ele perdeu uma hora vivida. E se eu for pra São Paulo eu ganho essa uma hora.
Posso citar o quão é absurdo o fato de viajarmos três horas pra algum lugar e chegarmos no horário que saímos! E isso, pensando nos fusos horários, pode ser possível.
Parece babaca, mas se pensarmos o quanto somos servos deste relógio. Se temos que chegar pra uma reunião às 15h do lugar A e vamos pra um outro lugar onde a viagem demora três horas e saímos as 14h50 e este lugar B tem 3 horas a menos pelo fuso, chegamos na hora ainda!
Se contamos a vida por anos, e nos mudarmos para esse novo lugar, tivemos três horas de nada, não contadas... e vivemos sem ter vivido de acordo com nossas contas.
Interessante não?

Isso tudo serve só como um tira gosto bobo para uma coisa mais besta ainda que concluí pensando no tempo.
Conversando com esta mesma amiga de assis, logo após o papo dela estar no futuro, ela me disse que já teve um tempo no qual ela não acreditava no presente. Não sei porque. Vai ver eu devia arranjar pessoas melhores para conversar, mas o que ela falou tem um certo quê de interessante.
A divisão que costumamos fazer entre passado, presente e futuro, na realidade não existe. Tudo é uma coisa só.
Pensemos só no presente e no passado. O presente é o passado acontecendo e sendo resultado do passado.
Somos o que somos porque fomos assim virando, certo?
O presente é meio que preso ao passado. Não viramos de repente os melhores escritores começando a escrever em blogs durante a madrugada. Isso é um processo de interação com o ambiente gerando experiências, práticas, que nos tornam melhores nisso. Ou seja. Se somos é porque nos tornamos. E assim falando, ser é, não completamente como agora, ter sido.
Pensemos no futuro. O futuro é igual ao presente, mas está por acontecer. Parece que surgiram milhares de oportunidades não? Mas se o presente é fruto do passado, o futuro será.

Neste ângulo eu poderia argumentar que o passado é a chave de tudo.
Mas não é. O presente é. E só existe o presente. O futuro não existe e o passado também não. Porque tudo é presente.
O presente é o passado impresso, e atuante. O futuro é o presente que irá atuar.
Um pensamento um tanto quanto controverso pra mim se formos pensar no que eu falei no post sobre coisas a longo prazo, não atuar no presente porque se não não será nada no futuro.
Mas não é controverso. Creio que me enganei nos termos.
Não atuar no presente significa que você não será nada no presente. E assim pra sempre. E isso sempre será presente.

Uma boa idéia se formos argumentar com adolescentes ou pessoas imediatistas não? Gostei.

2 comentários:

  1. Ainda acho que dá pra melhorar essa argumentação... mas deu pra entender né?

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  2. Putz!

    Tenho uma amiga que é invocada com a palavra “tempo” e segundo um comentário dela, seria a prova de que Deus existe.
    Eu concordaria que tanto tempo quanto deuses estão no mesmo patamar: existem enquanto necessidade... São criações nossas. Existem por causa nossa competência ou
    incompetência... Mas além de ser outra história é de cunho muito pessoal meu.

    Pois é, é bobo... Mas o passado já foi futuro e o futuro será passado. Se o presente é o que vivemos... VIVEMOS TUDO ISSO, oras! O que existe de fato? Só presente? Bom, talvez o problema esteja mesmo nos termos ou é essa noção fragmentada e rápida que a gente tem das coisas que embaça minhas vistas...
    A fenomenologia já tentou me explicar sobre isso, mas esqueci... Pra variar.
    Acho que hoje somos feitos mais de escolhas que de tempo. Alguns conseguem parar no tempo, psicologicamente... O tempo nosso, dos outros, de todos nem é a mesma coisa. Alguns se apegam ao passado e outros ao futuro, seria uma forma de fugir do presente? Mas e aqueles que se apegam só ao presente? Imediatistas, ingratos (com o passado), inconseqüentes... Como dividir o tempo me parece que tá relacionado com como priorizamos nossa vida e seus aspectos.

    “O presente é meio que preso ao passado. Não viramos de repente os melhores escritores começando a escrever em blogs durante a madrugada. Isso é um processo de interação com o ambiente gerando experiências, práticas, que nos tornam melhores nisso. Ou seja. Se somos é porque nos tornamos.” Adorei isso...

    Obs.: UAHSUAHSU não ligo de ser companhia pior, só não sendo medíocre está bom ;P

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