Porque um blog?

Sempre temos dúvidas pendentes e pensamentos fulminantes durante o dia, e na maioria das vezes, são achismos perdidos por valores nossos. Dividir com uma, duas pessoas parece interessante, mas multiplicar por quem se interessa com quem fala e pelo que se fala é tornar um pensamento em uma idéia, e multiplicar a idéia por possibilidades.
O que estudamos as vezes serve de base, mas a partir daqui é bem o que eu acho mesmo, portanto, me ajudem a formar idéias, para assim formarmos possibilidades, e não ficarmos só nos achismos!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Construção - Quanta coisa agente aprende e quanta coisa agente deixa...

Esses dias, durante uma coleta que podemos dizer que para o momento não foi lá muito útil, acabei por pensar em certas coisas que vão levando a outras e vão seguindo... Tentei juntar os assuntos mais próximos mas mesmo assim terei que dividí-los, falarei dos dois porque não conseguirei falar só de um.
O assunto central provavelmente é a construção de nós. Como nos tornamos o que somos, e como construímos pessoas.
Parece feio falar que construímos pessoas, mas quando digo "nós" construímos alguém, eu digo o "nós" como o externo, o ambiente.
Bom, nascemos com algumas predisposições, o que vem de nossos gens, o famoso material genético. O ambiente vem e nos molda em cima do que temos predisposições e pode nos deixar em caminhos totalmente diferentes do que estaríamos se os estímulos, se o ambiente, fossem totalmente diferentes. E isso porque por mais que carreguemos uma porrada de coisa quando nascemos, aprendemos as formas de viver na vida. Arranjamos jeitos de darmos certo ou de chegarmos ao mais próximo do que consideramos um caminho para ser seguido.
Muito bonito não?

Durante minha vida tive algumas pessoas que me marcaram por gestos e frases que nunca esqueci e tenho levado durante muito tempo. E elas me tornaram alguma coisa diferente do que eu seria se não tivesse cruzado com e as conhecido. E isso é uma coisa que acaba por tornar todos como são.
Durante minha coleta de dados pro meu projeto de iniciação científica, que está sendo em um colégio municipal de caucaia (perto de fortaleza), notei que grande parte das crianças da escola que consegui realizar a pesquisa não atingiam os critérios mínimos para participarem dos estudos, e por mais que elas possam ser estudadas depois com a premissa de se encontrarem preditores para o mau desempenho, fiquei atordoado.
Este atordoado se deram em três possíveis pontos de vista: o pesquisador, pois minha coleta não anda assim, preciso de muitos sujeitos alcançando os critérios mínimos; o professor, que se preocupa com o que as crianças tem e não tem e como fazê-las aproveitar algo que nem conseguem chegar perto de conseguir; o cidadão, que nota os problemas que podem ser encontrados em diferentes regiões do país devido a disparidade de condições...
E, assim, atordoado, parei pra olhar no intervalo as crianças brincando e correndo.
E aí eu lembrei dessa construção que tive e das pessoas que me ajudaram a me construir. O fato dessas crianças não conseguirem os critérios em uma tarefa que envolve percepção e ação não é de tão grande problema se não fosse o que ela representasse. Representa a falta de condições para estas crianças conseguirem não só realizar minha tarefa, mas também muitas outras coisas.
E fiquei olhando... como poderia estar na vida dessas crianças sendo aquela pessoa importante? Aquele cara que vira e fala a coisa certa e deixa a pessoa intrigada a ponto de fazer o algo a mais, de ser o destaque e de sempre querer ser. Eu não sei.
Minha futura esposa (heheh, ela vai adorar isso!) adora essas coisas de construção do ser e tudo mais. Eu não sou tão fã como ela. Mas vamos ser sinceros, ser professor, ser pai, ser parte da vida de alguém, deveria ter esta parte de ser importante para ela por ser a pessoa que fez a diferença na vida dela. Se tudo for pra melhor, melhor ainda!
Em minha vida foram alguns professores que com certeza se tornaram referência pra mim por me tornar diferente, e hoje me tornar orgulhoso do que sou, com algumas ressalvas claro, mas com toda uma possibilidade de concertar.
E fiquei olhando as crianças... Como eu, como professor, amigo, sei-lá, poderia ser isso pra alguém, pra elas? Eu queria ser o ponto de partida, ou a curva pro lado certo, no caminho promissor de várias pessoas. Mas como?
Parece fácil pensar "é só ser um bom professor". Mas como ser? Muita gente com tanta vontade de ser nunca será lembrada por nenhum aluno, ou por poucos de ter feito a diferença. E alguns, sem nem ter vontade conseguem... Deveríamos nos preocupar em achar a receita!

O segundo assunto, também envolve a construção:
Eu me perdi pensando na distância que tomei de alguns colegas por besteiras e assuntos mal resolvidos.
Antes eu achava que o grande problema disso era o clima chato que ficava e a falta de companhia que seria resolvida por esse amigo. Hoje eu vejo diferente.
O que mais se perde quando se distancia de alguém (não por distância de metragem, porque isso nunca me separou de grandes amigos meus), seja por desavenças ou descaso, que muitas vezes acontece, é que se perde o mais bonito: a construção dessa pessoa.
Hoje, eu tenho um colega que está interessado em voltar a conversar comigo e tudo mais, me chamou pra conversar e quando eu voltar daqui provavelmente isso deve acontecer. Mas não servirá de nada para o que éramos anteriormente. Podemos nos tornar grandes amigos e tudo mais, mas a amizade começará de novo.
Somos outras pessoas. E o que provavelmente serviria pra nos unir mais, hoje será o motivo de não sabermos como o outro é: a construção perdida nesse tempo.
Se não fôssemos tão estúpidos e tivéssemos evitado de nos separar, ele faria parte da minha mudança e vice-versa, e provavelmente, eu seria mais ele, e ele mais eu. Hoje não somos nada um do outro, apenas conhecidos, e por causa de uma besteira no passado.

Esta construção é complicada. Ser parte de alguém é ao mesmo tempo ser desafiador para este alguém e ser apoio. Como ser os dois? Como não extravasar nos dois? Como descobrir quem está querendo ser assim pra nós e não evitá-los nas horas que eles querem nos apoiar por estarmos querendo desafios ou evitá-los porque queremos apoio e eles estão nos desafiando?
Durante uma boa amizade essas coisas se unem, e parecem ser exatamente o que juntam dois amigos, divergências e apoio. A divergência que nos faz crescer quando estamos estáveis, e o apoio para nos estabilizar quando outras divergências nos tornam instáveis... E é isso que perdemos quando nos deixamos afastar de pessoas por desavenças e descasos...
Complexo.

Um comentário:

  1. Eu realmente acredito [hoje] que somos uma parte dos outros. Que temos nossas peculiaridades genéticas e peculiaridades subjetivas também advindas do ambiente, dos outros... Em que captamos “fragmentos” diversos pra nos constituir (às vezes escolhidos, às vezes não) ... Assim como uma mistura entre elementos diferentes gera uma “composição” [?] distinta de ambos. Eu pensei numa analogia com a Vampira do X-men também XD...
    Bom, e apesar desse pensamento que considera a genética e o ambiente e a interação que há mesmo entre eles... É muito gostoso ver um homem se preocupando pelos “semelhantes” a ponto de buscar um caminho pra fazer a diferença, sabe? Acho que a psicanálise que diz que nem todo sujeito é humanizado... Com certeza você é e me orgulho disso... Me tranqüiliza saber que apesar de pontos de vistas que possam ser distintos há uma preocupação também com contribuir pra humanidade se valorizando, fazendo a própriaa existência valer a pena além de si mesma...
    Em muitos âmbitos da vida acredito que buscar uma resposta ou um resultado nos move já o suficiente pra fazer diferença! E isso está fazendo.
    À propósito... Muito sortuda esta sua futura esposa! ;D s2

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