É quase natal, e nada melhor do que pensar na vida não é? Está certo que isso está mais pro reveion, na hora da gente fazer todos os pedidos e promessas que nunca serão atendidos ou realizadas. Talvez agente peça demais e prometa coisas que não queremos realmente cumprir... mas, assunto pra outra hora. Porque agora não é hora disso, agora estamos envolvidos pelo espírito natalino e tudo mais.
Talvez seja o momento de pensarmos sobre este espírito natalino. Ou até sobre o natal em si. Se o natal vem no nascimento de Jesus, está na hora de pensarmos em tudo que envolve a data: a gente, religião, Deus, nascimento, espírito que envolve e nos dá vontade de sermos como nunca fomos durante o ano inteiro e no fim sermos legais, receptivos, carinhosos e tudo mais...
Primeiro, vou começar do menor pro maior, é incrível pensar que precisamos de uma época, aliás, de um espírito que basicamente nos envolve de repente para conseguirmos pensar nas outras pessoas antes de nós mesmos. Eu sei, eu sei, nem todo mundo é assim. Mas sejamos sinceros, durante o ano inteiro vivemos na defensiva, onde qualquer comentário vira motivo pra nos defender, ou atacar de volta (que dizem por aí ser a melhor estratégia para se defender), e isso quando o comentário muitas vezes nem teve esta intenção.
Não estou aqui pra falar que nós, humanos, somos malvados e vamos acabar destruindo a natureza e o mundo, e por isso precisamos comer vegetais. Não é este o ponto. Mas é estranho pensar nisso, que temos a necessidade da imagem do papai noel para de repente surgir um espírito e nos dar a alegria de viver e sermos mais isso e aquilo...
Nem entremos no mérito da existência ou não de um espírito mágico, chamado de natalino, por que já vamos mais afundo.
Esta data toda vem de um nascimento do filho de Deus. E aliás, muita coisa que você pensa ser normal vem dessa "data". Porque começaram a contar os anos a partir disso, mesmo que eles começaram contando meio estranho, já que o cara nasceu no 0 e já era 25 de dezembro. Estou brincando, pouco sei sobre o porque de acabar sendo dia 25 de dezembro. Deve ter sido pra ter duas festas, o reveion e o natal, ia ser muito chato só ter uma. Sei-lá.
Podemos abrir um leque de questionamentos sobre o nascimento de Jesus e pans... Eu parto do pressuposto que acreditamos. Não vale a pena gastar meus dedos aqui criticando religiões e crenças alheias.
A dúvida não vem no se devemos acreditar, como disse anteriormente, partiremos do pressuposto que já acreditamos. O grande tema aqui é: porque acreditamos?
E não só no natal. Eu acredito no natal, é inclusive feriado.
Mas no porque do Natal, em todo o alicerce religioso que essa data tem e todos os símbolos e crenças que surgem a partir da data e de toda história que vem a seguir. Deus, Jesus, Religião... porque acreditamos? Porque acreditamos nesse algo maior?
Tenho grandes discussões internas sobre isso.
Já me falaram que as religiões foram criadas para controlar as massas, ganhar dinheiro, criar modos e até porque Deus existe e devemos adorá-lo. Creio que neste assunto as coisas vão se perder, até porque quem criou alguma religião não me deu os fundamentos e preceitos dela pra eu poder analisar. Mas uma coisa que pode dar frutos, é a nossa religião, aquela nossa crença individual, que nos guia de verdade no que fazemos, que pode ser baseada em uma religião maior de vários, criada por outros, mas esta crença que é individual, e nunca imposta, conseguiremos repensar.
Porque acreditamos neste algo maior? Porque cremos?
Porque precisamos.
Quem olha pela evolução, pelos fatos, pela seleção natural, uma hora ou outra chega a um ponto que é terrível: somos obra do acaso. E estamos aqui por acaso. E assim sendo: não há quem olhe por nós, não há porquê nem sentido, somos carbono com outros tipos de material sendo misturado, separado e colado. E só...
O fato de amarmos, odiarmos, entristecermos são só descargas hormonais resultantes de situações que nos favorecem ou não no dia a dia. Uma forma de defesa desse sistema que precisa se manter sendo um sistema. E isso sou eu falando, concluindo pela lógica do acaso.
Se somos assim. Porque ser? Não há um antes nem um depois, seremos novamente parte de outra coisa e só. Morrer agora ou depois tanto faz. O viver não faz sentido.
Mas se há o algo maior, vemos sentido nas coisas, somos formas de ajudar o algo maior, e isso pode ser pelo reino dos céus que nos espera ou pela nossa vida como espírito, sei-lá. Vale a pena fazer sentido em nossa existência.
Precisamos disso para continuarmos tentando. Independente da existência disso ou não, se existir melhor, estaremos sendo o que precisávamos ser e assim colocando motivos e sentidos na nossa vida.
O espírito natalino é uma mostra disso. Acreditamos nesse espírito do bem que nos leva a fazer coisas que geralmente não fazemos, nos leva a dar sem pensar em receber, que nos leva e não pedimos para sermos trazidos de volta.
Uma vez, minha irmã falou que um professor dela comentou o que acreditava para a sala inteira: "Um filósofo x (minha irmã não lembra quem era o filósofo citado) disse uma vez que Deus é o amigo imaginário do homem adulto". E talvez seja. Seja obra da nossa imaginação para continuarmos lutando pela sobrevivência, pela espécie.
Acreditar no algo maior, independente do nome ser Iemanjá, Oxu, Apolo, Jesus, Kurt Cobain, ou etc., nos faz sermos coerentes ao acreditar no amor, no acreditar no viver, no acreditar que nossas conquistas são conquistas e nunca serão perdidas porque sempre haverá um motivo para celebrar uma vitória sobre um obstáculo, porque a partir disso, todos seremos mais, porque contamos com uma conquista a mais, e não simplesmente sermos o acaso.
Acho que vale a pena acreditar.
Feliz Natal.
Porque um blog?
Sempre temos dúvidas pendentes e pensamentos fulminantes durante o dia, e na maioria das vezes, são achismos perdidos por valores nossos. Dividir com uma, duas pessoas parece interessante, mas multiplicar por quem se interessa com quem fala e pelo que se fala é tornar um pensamento em uma idéia, e multiplicar a idéia por possibilidades.O que estudamos as vezes serve de base, mas a partir daqui é bem o que eu acho mesmo, portanto, me ajudem a formar idéias, para assim formarmos possibilidades, e não ficarmos só nos achismos!
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É dia 25/12 por causa do Rei/Deus Sol ou algo do tipo. Minha memória é péssima, mas posso recomendar um documentário que gostaria que todos visse: Zeitgeist. Vivemos em ilusão e precisamos de datas talvez como ponte para a realidade... Mas acho que a realidade seria tão menos dolorosa que essa ilusão. Ter os pés no chão é o começo para voar.
ResponderExcluirOlha, eu achava odiar tudo, mas percebi que apenas não gosto de religiões como ferramenta de manipulação. Entretanto, e for pensar por esse lado, política, mídia, tecnologia, ciência... Tudo é ferramenta nas mãos humanas. O problema está em como utilizamos e em quem utiliza... Política simplesmente deveria ser nossa postura perante os outros e o meio, espiritualidade simplesmente nossa conexão com a natureza ("nossa"... Algo compartilhado, mas único, individual, respeitado, não imposto, sobreposto, corrompido). Por isso, por mais que minhas crenças vão no rumo da descrença... Concordo: saber o PORQUÊ acreditamos seria fundamental. "Um homem que não tem escolhas, não é homem" (ou algo assim) como diria o padre de Laranja Mecânica pro Alex. E pensar nossas estruturas, culturaS, crenças, contextos, histórias é fundamental para podermos nos guiar/ escolher... É o que eu acredito: quando nós nos governamos não é preciso data e hora marcada para pensar, amar, viver.
E eu acho lindo uma coisa: somos poeira estrelar *-*... E viva ao Hidrogênio!
Só não concordo plenamente com uma coisa: "são só descargas hormonais resultantes de situações que nos favorecem ou não no dia a dia". Bom, meu curso é voltado para humanas, mas sempre nos lembram da interação biológico e "humano". Somos nosso organismo, nossa memória... Nossa vida. Não são apenas situações... Se xingam uma pessoa aleatória seu sentimento não é o mesmo se fosse com alguém que tem um vínculo. Somos descargas hormonais, mas não SÓ isso. Minhas descargas hormonais têm história, identidade e motivos que diferem dos seus e por isso somos iguais e diferentes pela biologia e pela humanidade.
Sou agnóstica, portanto na minha prática vivo por minha vida e não pensando na minha pós morte, Deus não está na minha prática, mas também não sou atéia porque se ele não existe pra mim não acho que não é por isso que não existe para outros. Disse isso porque lembrei o que um grande amigo ateu me disse quando questionei "pra que viver se não há razão maior?"... Ele respondeu "estar vivo é o suficiente". Ser ao acaso não é ser menos... Por que jogar para uma crença sua motivação? Eu sou bem chata, mas na prática respeito, sim, os religiosos. Acontece que o que EU ACREDITO: meu destino sou eu quem faz, de acasos em acasos as escolhas não estão totalmente sob controle, mas são escolhas e só resta ter ombro pra levar a cruz (que ninguém carrega por nós). É o que eu acredito: acreditamos porque precisamos. Porém, nós acreditamos em muita coisa que nos contaram e não questionamos mais a fundo. Não seria tão mais simples: viver pelas próprias escolhas e responsabilidades a vida de agora (e não pós-morte)?! É um simples complicado, pra isso é preciso ter base, estrutura... Só quem tem cultura e educação (ou os gênios que perceberam que "viver ultrapassa todo entendimento", Clarice Lispector) pode questionar e escolher.
Pois é! As máximas são tão maleáveis e isso me fascina.
ResponderExcluirObrigada por retribuir os comentários. ^^
Na verdade, fui ao seu blog porque lembrei de algumas informações suas e achei seu blog. E realmente, você é um cara inteligente e interessante. Foi legal poder ler suas opiniões e teorias.
Bjaum. Bom 2011!
sou ateu, mas Zeitgeist forçou muito a barra, muitas afirmaçoes sem fundamentos, nao tome esse documentario como verdade absoluta, eu ja fiz isso, e depois fui pesquisar.
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