Porque um blog?

Sempre temos dúvidas pendentes e pensamentos fulminantes durante o dia, e na maioria das vezes, são achismos perdidos por valores nossos. Dividir com uma, duas pessoas parece interessante, mas multiplicar por quem se interessa com quem fala e pelo que se fala é tornar um pensamento em uma idéia, e multiplicar a idéia por possibilidades.
O que estudamos as vezes serve de base, mas a partir daqui é bem o que eu acho mesmo, portanto, me ajudem a formar idéias, para assim formarmos possibilidades, e não ficarmos só nos achismos!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sabedoria - Como utilizar a informação? Da onde vem?

É incrível o poder do ser, a partir do momento que existe, errar. O que é totalmente normal, já que as chances de acertar são sempre mínimas pra aqueles que esperam algo. Mas é incrível a capacidade em repetir a cagada.
Da incrível mudança da criança para o adulto conseguimos capacidade para entender o porque que aquilo é aceito ou não (já que certo e errado tem vários lados). Criamos princípios e os seguimos.
Mas ainda assim somos capazes de saber que estamos fazendo merda. E terminar de fazê-la. Mesmo sabendo das consequencias que iremos ter que arcar com. Como isso se dá?
A sabedoria que sempre esperamos obter, pelo menos eu espero, de sabermos o que fazer na hora, e termos na cabeça a escolha certa para cada situação é utópica, isso eu sei. Já que a cada situação que vivemos, ela é sempre diferente da anterior, e as vezes achamos coisas que nos são conhecidas e sabemos lidar com elas e as vezes não.
Mas mesmo assim, as vezes vemos que iremos fazer errado, e mesmo assim fazemos.

Eu poderia diferenciar em duas situações: situações de merda a curto prazo e situações que a merda demora a acontecer.
As primeiras, naquelas que são situações pontuais, as consequências podem até se arrastar por um tempo longo, mas não são trágicas, pelo menos no meu modo de ver.
Posso citar alguns exemplos:
O mais claro dele é a traição em um namoro. Demoramos um bom período de tempo tentando nos unir a uma pessoa, achar uma que valha a pena, e começamos a dispender mais tempo ainda para mantermos essa relação. E é claro, pelo menos para mim, que todos sabemos que uma traição bota tudo a perder. E as vezes, pelo que observei, não parece que a pessoa "traidora" quer botar tudo a perder.
Então porque é que acontecem as traições? Meu Deus! É incrível isso. Aquela frase que diz "o proibido é mais gostoso" é repugnante, leva a noção de regras e de princípios a merda e joga fora toda a convivência em sociedade.
E acontece. O carinha demora semanas pra iniciar um namoro (tempos modernos podem diminuir isso =D), e quando começa, acha uma gostosinha, que nem é tão bonitinha, nem é melhor em termos estéticos que a namorada em questão, é meio malinha, e trai.
No fim, perde a namorada, que era com quem ele queria ficar, e uma certa credibilidade com outras mulheres.
Outra situação boa é o beber até cair, ou o perder o controle e brigar no impulso, coisas que sempre levam a merda depois.

Estas situações parecem bobas se comparadas as situações que levam a problemas depois de um longo prazo. Até porque estas situações ditas acima podem virar problemas de longo prazo se repetidas continuamente. A namorada perdida viram mulheres desconfiadas, o beber até cair vira o ninguém querer sair contigo, e o brigar vira o problema de não ter amigos, etc.
O exemplo que eu vou citar é baseado em várias pessoas que conheço, e é uma situação de longuíssimo prazo.
Sabe aquela frase que permeia muitas àreas? "Essa área não dá dinheiro"? Pois é. É culpa disso.
Vários estudantes passam a faculdade fazendo milhares de coisas que não são nem relacionadas à estudar. Não digo que é necessário um bando de nerds que consomem livros como eu realmente gostaria que fosse. Mas falo sobre aqueles que vão as aulas e passam quase todas elas se queixando sobre, conversando sobre outras coisas, vendo moscas, cagando pro professor pela cabeça do "eu já sei isso" ou "esse cara é um bosta, até eu devo saber mais que ele" ou quaisquer outras coisas que não sejam assimilar o mínimo de conteúdo para a atuação no mercado.
Existem pessoas que passam quatro anos, cinco, seis, sei-lá, dando um jeitinho de passar nas matérias, cadeiras, disciplinas, ou como você quiser chamar. E ainda querem ganhar dinheiro com a àrea em questão.
E ainda falam que as pessoas que conseguiram a grana, o sucesso, a valorização, são sortudos, indicados, puxa-sacos ou outros.
É sabido que a relação HBC (horas bunda cadeira) com o sucesso, valorização na área é grandíssima. Existem, é claro, os casos dos caras que conseguem dar um jeitinho, mas são poucos. Aqueles que realmente estão lá em cima passaram bom tempo se dedicando àquilo.
E como é que as pessoas continuam fazendo a cagada de cagar para o mundo??
Todos sabem que a competição é grande, que a dedicação dá o diferencial, mas mesmo assim todos continuam levando a vida como se ela fosse dar de presente o que se almeja.

E é nesse ponto que entra de verdade a dúvida: seja em situações pontuais ou aquelas que se estendem pelo tempo, como que, mesmo sabendo das consequências, e não desejando-as para nós, fazemos cagadas?
A sabedoria que eu falei no começo seria essa. Como usamos a informação que JÁ TEMOS? Como usar a sabedoria que tivemos vendo os outros, e as vezes com nós mesmos, pra não fazermos de novo?
Será que não existe nenhum tipo de preditor que diga: esse cara tem isso logo ele vai saber reutilizar a informação, vai ser esperto; e esse cara tem aquilo, logo ele vai ser um merda na vida. E não acho que estou exagerando não, quando você não é muita coisa, você é tratado como um merda na vida! E não adianta reclamar.
Será que é algo genético? Se fosse, o filho de um cara esforçado também seria, e muitas vezes não é.
Será que é necessário algum trauma na infância? Se fosse, bill gates não seria quem é. Ele era um cara normal que invadia a sala dos computadores e ficava mexendo lá - sala dos computadores é modo de dizer porque na época cada sala só cabia um.

Penso nisso, também porque, sou meio que meritocrático, acredito no mérito como divisor de águas entre aqueles que devem ser valorizados ou não. E isso estendo para todas as áreas, seja do mecânico até o médico. Se o cara é bom, ele deve ser valorizado e, para mim, será.
Um mecânico que luta para atender bem os clientes, dar de verdade os problemas do carro, consertar bem os carros que tem problemas reais, sempre será indicado e sempre terá clientes e será valorizado.
Assim como o médico, o educador físico, o gari e por aí vai.
O marido que cuida bem da esposa, o amigo que é amigo e tenta o melhor para os amigos, o cara que não xinga a polícia quando dá vontade, o cara que não é impulsivo e por aí vai também.
Mas é incrível ver que sabemos que tudo vai dar errado e mesmo assim não fazemos nada para mudar ou deixarmos de fazer.
Eu fico perplexo quando vejo quantas pessoas pensam e reutilizam as informações úteis para não dar merda. São tão poucas...

Um comentário:

  1. Sabedoria, perseverança, mérito são mesmo palavras fortes e bonitas. Mas sou a favor também de “estrutura”, “base”, “possibilidade de escolha” serem lembradas...
    Ultimamente ando dizendo muito: “há vários meios para o mesmo fim”... Mas, às vezes, acredito que muitos não têm tempo para pensar nos meios e sequer em tempo. Percebo que a questão “longo prazo” é cada vez mais ignorada (talvez pelo ritmo de vida que se leva)... E, realmente, me dá medo a idéia de carpe diem e como ela pode ser arriscada nessas questões.

    As atitudes que levam às merdas são fruto de escolhas e, pra escolher, o cara deve ter alternativas. Bom, aprender com os erros (próprios e alheios) me parece sinal de sabedoria, sim. Contudo, achei bem lembrado que a noção de certo/errada pode ser bem flexível e talvez seja por isso que o que pra alguns uma escolha represente algo ruim para o outro talvez esteja entre as melhores alternativas. Sabe-se lá as motivações de cada um também... Quem sabe as motivações de cada um não respondam um pouco sobre o porquê de se arriscar?!
    Pelo visto você tem princípios bem estabelecidos e, por isso, no momento de decisão e escolha eles sejam sua principal motivação.

    Também não sei se é genética ou trauma. Acho que é um pouco de tudo: personalidade, criação... E muito de possibilidades e motivação.
    Eu penso nas relações de classe, explorações... A gente está em um sistema e colabora pra ele por mais que discorde de algumas coisas, por que a gente não muda? Pra mim, porque não parece fácil, parece muito maior que eu. Algumas pessoas acham que certas coisas não estão sob seu poder, sob sua capacidade de escolher e auto-governar e preferem arriscar (como diz o dito “quem não arrisca não petisca”, não é?)...

    Eu compartilho da sua dúvida. Por que continuam (continuamos) errando? Ás vezes me parece que poderia ser tão mais simples SE (“se”, condição).
    Antigamente eu era MUITO meritocrata, mas na faculdade convenceram-me de que nem sempre as pessoas têm ou tiveram os “se”. Hoje, não me irritam mais as burrices humanas, apenas fico fula* com aqueles que têm condições, oportunidades e capacidade de escolher bem e acabam por fazer tais merdas que não apenas prejudicam a si, mas outros.

    Tenho que parar de escrever livros nos comentários, mas é que seus posts abordam muitas questões legais! Seria muito bom se o pessoal, pelo menos na nossa faixa etária, parasse pra pensar coisas do tipo.

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